Alimentação sem culpa: a dieta e a qualidade de vida – por Psiquiatra: Estéfane Moura

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Alimentação sem culpa: a dieta e a qualidade de vida Alimentar-se é mais do que manter a sobrevivência, envolve a forma que nos relacionamos com o mundo. É saciar as necessidades emocionais. O alimento é amor, recordação, comunicação, sentir-se querido e aceito. Não é à toa que o primeiro contato que temos com o ambiente é na amamentação.

No entanto, vivemos em uma sociedade em que o padrão de beleza está associado a uma aparência magra e atlética, levando a um comportamento alimentar mais adoecido, sem embasamento científico e com muitas promessas de “revoluções”. A cultura da aparência provoca uma eterna insatisfação com a imagem corporal, com contínua exigência em cultuar o corpo, exercitar-se e se manter jovem.

Mas como comer pouco em um mundo de excessos? O desejo de ser magro resulta em dieta, restrição alimentar. Isso acaba engatilhando um desejo incontrolável por alimentos “proibidos”, que resulta em perda de controle alimentar, causando exagero no comer. Tudo isso gera frustração e ganho de peso, que naturalmente nos leva a recomeçar uma nova dieta. Entretanto, a dieta não é a solução, mas sim o que leva iniciar toda essa situação.

No ocidente, 24% das mulheres e 8% dos homens se engajam regularmente na prática de dietas, estando a maior parte deles com peso adequado para sua altura. Porém, apenas 5% das pessoas que fazem dieta não recuperam o peso perdido, elas tem reganho de 1/3 a 2/3 do peso dentro de um ano.

O principal fator que influencia o objetivo de perda de peso é a aparência física, em detrimento de melhora nas condições clínicas. Assim, as dietas de emagrecimento nos conduziram a um conceito sociocultural de beleza, gerando ilusão de uma perda de peso além das expectativas e resultando em complicações como: hipotensão, desmaio, aumento do colesterol, pedra na vesícula, dores musculares, fadiga, fraqueza, taquicardia, anemia, dores de cabeça e náuseas.

Porém, o alimento transforma-se em recompensa em meio à frustração, momento de refúgio e maldição, resultando o indivíduo refém do seu padrão alimentar. Somado a isso, o aumento do sofrimento com o corpo, insatisfação com seu peso e forma, provocando prejuízo na qualidade de vida. Importante ressaltar que os perigos do rápido reganho de peso, ou mais conhecido “efeito sanfona”, provocam aumento da eficiência no armazenamento de energia, maior ganho de peso/calorias consumidas, resultando em aumento na taxa de ganho de peso (3x maior depois da segunda dieta, comparado com o reganho de peso depois da primeira dieta). Estudos demonstram aumento do risco de fraturas (35%) em homens que tiveram quadro ou mais oscilações de peso dos 25-50 anos, contra 17% dos que não apresentaram oscilações.

Além disso, a negação dos alimentos pode gerar frustração, ansiedade, obsessão por comida, causando Transtornos Alimentares (TA). As desordens alimentares se caracterizam por uma perturbação persistente na alimentação ou no comportamento relacionado que comprometem significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial. A prevalência dos Transtornos Alimentares varia de 0,5 a 4,2% da população mundial. Eles ocorrem mais frequentemente no sexo feminino, 90% dos casos, com elevados índices de morbidade e mortalidade. Os TA mais comuns são: anorexia nervosa (AN), bulimia nervosa (BN) e transtorno de compulsão alimentar (TCA). Portanto, é necessário entender que se relacionar com a comida de forma adequada.

Por Estéfane Moura – Psiquiatra

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