Depressão e suas faces – Ludmilla Costa

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Todos temos concepções sobre a depressão, um transtorno mental frequente que, segundo dados da OMS, afeta mundialmente mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades. A popularização do tema e a consequente ampliação do acesso às informações sobre seus sinais, sintomas e ofertas terapêuticas têm elevado a busca por cuidados e facilitado sua desmistificação, possibilitando ações de prevenção, inclusive de seu desfecho mais impactante, o suicídio.

Conhecida como o “mal do século” XXI, a depressão acompanha o ser humano ao longo de sua história na terra, tendo sido descrita desde a Grécia Antiga por Hipócrates com a denominação de melancolia.

Porém, a despeito de sua longevidade, é notável o crescimento da frequência da depressão nas últimas décadas, sendo alvo de inúmeras pesquisas, mobilizando sistemas de saúde, impactando a força produtiva, atingindo todas as faixas etárias, gêneros, culturas e trazendo preocupação à coletividade, a qual valida a depressão como um problema global importante e que requer atenção.

Apesar da disseminação sobre o assunto, ainda é comum confundir-se o sentimento de tristeza com a própria depressão. Esta não é uma reação emocional a acontecimentos da vida e também pode se manifestar sem o sentimento de tristeza associado. Desânimo, pessimismo, perda de interesse pelas coisas que antes traziam prazer, prejuízo no autocuidado, mudanças de padrões de sono ou apetite geralmente estão presentes na maior parte do tempo e em intensidades variáveis.

Do ponto de vista médico-científico, a síndrome depressiva, conjunto de sinais e sintomas que caracterizam a expressão fenomenológica da depressão, apresenta etiologia multifatorial e gera disfuncionalidade, tendo origem primária ou secundária. Neste último caso, pode ser a manifestação de patologias clínicas, sequela de lesões cerebrais, efeito do uso de substâncias (drogas ou medicamentos), ou ainda uma reartigo Depressão e suas faces Ludmilla Costa Médica Psiquiatra graduada em Medicina pela UFRN e com Residência Médica em Psiquiatria pelo HC/UFPE ação depressiva a estresse emocional importante. Para as síndromes depressivas secundárias, as abordagens terapêuticas são direcionadas prioritariamente aos seus fatores geradores. Quando afastadas as possíveis causas externas ou secundárias, o tratamento específico para depressão maior deve ser ofertado. A partir daí, programa-se a terapêutica mais apropriada, centrada na pessoa, o que na maioria dos casos envolve uma abordagem multiprofissional, uso de medicações, psicoterapias, acionamento de redes de apoio familiares ou comunitárias e modificações de rotina, dieta e estilo de vida como adjuvantes.

Sobre a multifatorialidade da depressão, se, pelo olhar biológico, estudos avançam no detalhamento do funcionamento neuronal e descrição dos circuitos envolvidos na expressão de sintomas depressivos, na descoberta de aspectos inflamatórios e de fatores genéticos relacionados ao transtorno ou que possam influenciar as respostas farmacológicas, por outro lado, olhando para a sua face social, há uma atenção voltada para a escalada global da depressão e uma busca de sua compreensão. Estudiosos, filósofos, sociólogos vêm teorizando sobre os fenômenos sociais relacionados à depressão: Nietzsche e o niilismo; Durkheim e a anomia social; Foucault e a sociedade disciplinar e o contemporâneo Byung- -Chul Han e a sociedade do cansaço, o qual associa o crescimento de transtornos como a depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno de personalidade borderline e síndrome de Burnout aos modos de vida atuais costurando argumentos sobre o sujeito do desempenho e das multitarefas, aprisionado a si mesmo e autoviolentando-se por regras delineadas pelas metas a serem superadas.

Assim, as contribuições em diferentes áreas do conhecimento têm direcionado a forma como lidamos com a depressão e suas consequências individuais e coletivas de modo a minimizar seus impactos e aliviar sofrimentos.

Ludmilla Costa
Médica Psiquiatra graduada em Medicina pela UFRN
e com Residência Médica em Psiquiatria pelo HC/UFPE

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