A terapia da relação – Eufrázio Araújo

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Sou fascinado pelos relacionamentos humanos! Gosto do diálogo, do riso amigável, da brincadeira, da boa conversa, de falar sobre os meus projetos de vida e de ouvir os dos outros. Às vezes, fico observando o comportamento humano, escutando o que as pessoas estão dizendo e tentando “ouvir” o que elas não estão verbalizando e sou ajudado. É terapêutico, pedagógico, humanizador!

Aprendo sobre mim mesmo e sobre os outros. Vejo e me vejo. Enxergo-me nas distorções comportamentais que presencio! Nos erros e acertos. Nas idiossincrasias alheias, percebo as minhas dubiedades. Nas angústias e medos, checo o meu mundo interior, e não é que de vez em quando me angustio e tenho medo? É amigo(a), quem de nós não sente um frio na “espinha” diante do desconhecido? Ou se percebe incapaz de levar adiante um projeto num mundo liquefeito e ameaçador, em que as coisas mais constantes são a mudança, a dúvida, a incerteza, a insegurança, a injustiça, a barganha? Ou você não é atingido por estas coisas?

Pois é, fico horas em meu trabalho de ‘escutador’ dos dilemas humanos e a voz da minha consciência exclama: “como somos parecidos!” Naqueles que ousam confiar em mim e destampam seus porões numa confissão angustiada, encontro-me comigo mesmo e com muitos outros. Isto ocorre porque Terêncio e C. Rogers afirmaram: “Sou humano, nada do que é humano me é estranho” e “o cálido, subjetivo e humano encontro de duas pessoas é mais eficaz para facilitar mudanças do que a mais precisa combinação de técnicas provenientes da teoria do aprendizado ou do condicionamento operante.”

A impressão que tenho é que as dores humanas apenas se apresentam com endereços, telefones, e-mails diferentes, roupagens novas, mas, em essência, são muito parecidas. Afinal, a existência dói, como enfatizou Freud, e as pessoas não querem enfrentar a “dor de existir”, fugindo de si mesmas de várias maneiras, no embate do ser com o não-ser!

Permita-me elaborar algumas indagações: por que não me concentro em “ouvir” quando estou ouvindo? Por que tanta necessidade de apresentar as soluções e artigo A terapia da relação Eufrázio Araújo – Psicólogo Clínico apontar-lhes saídas, quando ainda não saí do meu fosso, desencontros e cavernas? Será que ao apontar as soluções para eles/elas não estou camuflando, burilando, recalcando o meu próprio problema de autoestima, de egoísmo, de culpa, de insegurança, de medo: recalque, e me sentindo um pouco superior: Às vezes, esta ajuda não foi ‘precisada’ pela falta de coragem de “abrir” o mundo interior, descortinar o ser, compartilhar as dores mais doídas, os gritos mais silenciosos que fervilham e ecoam nos vales, nos submundos, guetos e favelas de minha existência.

É, o comportamento humano é fascinante! Somos todos iguais, membros da mesma raça, e todos diferentes, indivíduos personalizados e únicos na história dos humanos, e nos achamos superiores, melhores, quase perfeitos! Ainda não percebemos a “trave” que deturpa, destoa e embota o nosso olhar. “Não pode a visão distorcida, que o paciente tem de seu mundo, constituir algumas vezes seu problema final?”, perguntou Rollo May, não permitindo olhar-me como um ser existente, em transformação, um vir-a-ser. Ainda, poderei desenvolver uma visão distorcida dos relacionamentos sociais, esquecendo-me de que “só me torno um eu querendo um tu”, ensinou Martin Buber.

É preciso admitir que não nascemos humanos, nos humanizamos nos relacionamentos significativos que estabelecemos em nossa existência. E mais: somos condenados a existir em avenidas relacionais, em permanente construção, desconstrução e reconstrução. Guimarães Rosa afirmou que viver é um rasgar-se e remendar-se permanente, logo, preciso ter a consciência de que tudo que sei e metamorfoseei na vida tem a ver com pessoas. Afinal, Augustine Shutte afirmou “pessoas precisam de pessoas para serem pessoas”.

O meu desejo é que você conviva com leveza (com você e com o outro), se permitindo sondar, perscrutar, conhecer um pouco mais e, quem sabe, buscar ajuda. Assim sendo, o labor é recompensado e a vida vale e tem sentido. Ouçamos Gonzaguinha, pois a vida “é bonita, é bonita e é bonita!” Dito isto, lembro-me de que o “conhece-te a ti mesmo”, do amigo Sócrates, continua muito pertinente!

Abraço forte!

Eufrázio Araújo – Psicólogo Clínico

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