Com a palavra, a paciente! Passei por isso… – por Socorro Beltrão

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Fui criança, depois jovem… saudável. Bem humorada, sorriso fácil, criativa, estudiosa, fisicamente vistosa e muito requisitada para eventos. Adorava festas, viagens, passeios radicais… Adorava VIVER… até que, aos 20 anos, assistindo Romeu e Julieta, no Cine São Luis, conheci o MEDO.

SocorroBeltrãoUm medo sem limite. – Pronto, pensei, estou morrendo. Saí do cinema como louca, atropelando todos a minha frente, chorando, histérica. Depois, veio a VERGONHA, e a DEPRESSÃO. O que houve? Por que?

Eu não sabia. Mas, risquei cinema da minha vida. Depois começou tudo de novo; agora no ônibus, indo para faculdade. Este era um sério problema, pois não podia simplesmente deixar de usá-lo. Como alternativa, Passei a ficar perto do motorista, pedindo para não encostar muito nos outros veículos e ficar mais perto das calçadas. Foi horrível… Qualquer engarrafamento, ou mesmo se o ônibus lotasse, eu descia e continuava a pé. Chegando a tomar seis conduções para chegar ao meu destino. Distância era o meu maior terror. Deixei de ir a festas, viajar, ir à praia, tomar elevador… fiquei com medo de altura, falta de energia… E até de respirar… Deixei de viver.

Já não ia ao Centro do Recife, mesmo morando a 5 Km. Não atravessava Pontes e até o vento me deixava em crise. Passei a ter pavor a trovão e relâmpago; de dentista, mas não era da broca, era da boca aberta. Me Formei. Nem eu mesma sei como. Deus!

Um fato interessante: tive dois filhos e durante as duas gestações não tive crises. Na hora do parto do meu primeiro filho, faltou energia. E eu não me importei. Ele nasceu de um parto normal à luz de velas… A segunda, uma Cesária… TRANSTORNO DO PÂNICO Com a palavra, a paciente! Passei por isso…

Fui taxada de: “Paraplégica que andava”, “dor de cabeça de um metro e oitenta”, “de que não tinha nada”, “que era frescura”. “Que gostava de ser doente “… entre outros.

Às crises ficaram cada mais frequentes. Procurei ajuda médica, psiquiátrica, psicológica… Foi uma verdadeira “via crucis”, de médicos e exames. Todos eram unânimes: “Você não tem nada”…

Um chegou até a dizer a meu marido, “QUE EU PRECUSAVA ERA DE UMA BOA CAMADA DE PAU “. Outro, disse que eu não poderia pagar seus honorários, pois tanto eu como meu marido, éramos professores do Estado e ganhávamos pouco.

E eu morrendo a cada crise, que agora, eram diárias: acordada, dormindo, em casa, no trabalho, na rua… Remédios? Foram tantos, e tão fortes… Outro drama.

Um dia um amigo ficou sabendo do meu problema e ligou- me indicando a Psiquiatra, psicanalista, Dra. Eliene Cardoso. Passei três meses para conseguir chegar em seu escritório, por medo… Até mesmo de carro. Mas, cheguei. Era primeiro andar e um simples lance de escada já me provocou uma bela crise. Quando consegui falar, foi para dizer-lhe que já sabia que não podia lhe pagar, mas ela, com um carinho imenso, pegou minhas mãos, olhou- -me nos olhos e me respondeu: – E eu perguntei? Quero lhe deixar totalmente Boa. Quanto a me pagar… Veremos isso depois.

Fui adotada por ela, quando nem se falava nisso. Até os medicamentos ela me dava. Hoje, tenho muito apresse por essa criatura, ela me devolveu a vontade e lhe serei eternamente grata. Melhorei e me dei alta, unicamente por medo de ir mais além. Se, já ia em Caruaru, João Pessoa, Timbaúba, Limoeiro, passeava no Shopping, ia ao cinema, estava ótimo. Mesmo assim, estamos sempre em contato, eu e Dra. Etiene ficamos amigas. Ela é minha sombra. Até que um dia, em Abril, eu estava assistindo o Jornal do Meio Dia, com Graça Araújo, e lá esta sendo entrevistada, Socorro Capiberibe, contando sua história. Ei! É a história da minha vida! Então ela contou do seu progresso, de suas viagens e da AMPARE. Deu seu telefone. Liguei imediatamente, e falei com o Wagner, seu esposo.

Hoje, tenho dois irmãos queridos. Na hora que terminou a entrevista, eu disse: – Eu quero mais, quero tudo que tenho direito. Quero AMPARE. E fui a primeira reunião, segunda da AMPARE. Conheci o Dr Wilson Oliveira, assisti sua palestra e fiquei maravilhada. Fiz amigos, colegas de jornadas. Fui novamente adotada, dessa vez pela Dra. Zenaide Regueira, fazendo um trabalho de grupo e de dramatização. Já melhor, consegui viajar a Natal, e quero mais, quero AMPARO. Como toda pessoa normal, tenho meus altos e baixos, estresse e depressões. Mas, basta um telefonema, (Socorro Capiberibe, Wagner), e vejo, que não sou “HI-MAM”, mas tenho a força, tenho a AMPARE, porque não somos os “Mosqueteiros do Rei”, mas somos, “Um por todos e todos por um!”

Depoimento publicado no Jornal da AMPARE, Ano ll, N° 2 Ab/Mai/Jun/2002.

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