Transtorno de Personalidade Borderline

Fabiana Maia de C Perez – Psiquiatria Clínica*
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FabianaMaiaCPerezCertamente você já conheceu alguém de difícil convivência que demonstre estar constantemente “em crise”, apresentando mudanças rápidas de humor, comportamento imprevisível e que frequentemente tem “ataques de fúria”, levando sofrimento intenso no ambiente com as pessoas aos quais convivem.

É de grande importância o reconhecimento desta forma de comportamento, pois se pode estar diante de um indivíduo com Transtorno de Personalidade Borderline.

Personalidade refere-se a todas as características de adaptação do indivíduo ao ambiente externo e interno que estão em constante modificação. Dessa forma, é necessária certa flexibilidade para que o mesmo se adapte diante das mudanças e frustrações ao longo da vida. O transtorno de Personalidade Borderline ocorre em 1,6% podendo chegar a 5,9% da população geral, 10% dos pacientes atendidos no ambulatório e 20% dos internados. Inicia-se no início da vida adulta, tem predomínio no sexo feminino, aparentemente possui uma base genética e de todos os transtornos de personalidade é o mais comum na clínica.

Dentre as suas características esses indivíduos se apresentam extraordinariamente instáveis em relação ao afeto, humor, comportamento, autoimagem e relacionamentos pessoais. Apresentam grande sensibilidade às circunstâncias ambientais. Vivem em uma espécie de montanha-russa emocional e costumam se colocar em risco.

Fazem esforços desesperados para evitar o abandono real ou imaginário, pois não conseguem tolerar a ideia de ficarem sozinhos. Os relacionamentos pessoais são instáveis, ora com valorização do outro e em ou
tros momentos extrema desvalorização. Idealizam os cuidadores ou companheiros e depois sentem que a outra pessoa não lhes dá a devida importância, nem o suficiente e nem está presente o suficiente. A impulsividade muitas Transtorno_Personalidade_Borderlinevezes levam os mesmos a gastos exagerados, abuso de substâncias, comida ou sexo. Muito comum apresentarem irritabilidade, ansiedade, sentimentos crônicos de vazio, atitudes manipuladoras, raiva intensa inapropriada podendo chegar à agressão física. A dificuldade de suportar a frustração e a tristeza podem levar com frequência as tentativas de suicídio e automutilação. Este é o ato de ferir a si próprio, geralmente com objetos cortantes ou pontiagudos nos antebraços, punhos e pernas. É importante esclarecer que ao se mutilarem na realidade o fazem como forma de obter ajuda dos outros, anestesiar o afeto ou reafirmar sua capacidade de sentir, livrá-lo da sensação de ser uma má pessoa e expressar a raiva. Durante os períodos de estresse extremo podem ocorrer ideação paranoide, geralmente relacionado com o abandono real ou imaginário. O suicídio ocorre em 8% a 10% de tais indivíduos sendo mais comum quando associado às comorbidades.

Dentre as comorbidades as mais comumente associadas ao transtorna são: a depressão, transtornos alimentares, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno afetivo bipolar, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. A identificação desses pacientes é normalmente feita pelos familiares ao perceberem as dificuldades de os mesmos lidarem com os estágios normais do ciclo de vida.

É necessário estarmos atentos para encaminhamento adequado aos especialistas e realização do tratamento. Apesar de o transtorno ser estável ao longo da vida, após a 4ª década costuma-se ter uma melhora em relação à impulsividade e à automutilação. A principal forma de tratamento é a psicoterapia na tentativa de diminuir a sensibilidade do indivíduo a críticas e à rejeição, bem como no controle dos impulsos e explosões de raiva. O psiquiatra é de grande importância utilizando medicações no controle dos sintomas e tratamento das comorbidades. Atualmente, as principais medicações utilizadas são: os antipsicóticos que auxiliam no controle de raiva explosiva, os antidepressivos melhorando o humor e tratando a depressão, os benzodiazepínicos no controle da ansiedade e os anticonvulsivantes que atuam como estabilizadores do humor.

Dessa forma, o reconhecimento precoce e encaminhamento adequado aos profissionais habilitados é a melhor forma de amenizar o sofrimento do ponto de vista familiar e ocupacional, facilitando a reintegração do indivíduo na sociedade.

*Psiquiatra – Integrante da AMPARE (Associação Médica de Pernambuco); Especialista em Intervenção Psicanalítica na Prática Clínica (FAFIRE); Especialista em Saúde do Idoso (UPE) e Graduação na UFPE.

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