Sobre qualidade de vida e saúde mental: a Síndrome de Burnout

Clenes de Oliveira Mendes Calafange

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A Organização Mundial da Saúde traz como definição de saúde o estado de completo bemestar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades.

ClenesOliveiraMendesCalafangeMesmo considerando que esse “completo bem-estar” é utópico, isso nos faz refletir que a saúde, sobretudo a saúde mental, está relacionada a várias condições e dimensões da vida humana como realizações pessoais, condições sociais e de trabalho satisfatórias, assim também como estão relacionadas ao modo como a pessoa se percebe e lida com as coisas ao seu redor. Isso nos leva a refletir imediatamente em um bem-estar subjetivo, experimentado por quem está congruente e satisfeito com seu estilo de vida.

Durante os últimos anos muitas mudanças vêm ocorrendo, sobretudo no campo socioeconômico e tecnológico. Incluem-se nessas transformações condutas e valores sociais que culminam no surgimento dos mais variados estilos de vida. Cada organização social tem seu estilo de vida e, queiramos ou não, nossa forma de existir no mundo sofre influência dessa cultura e desse estilo, que se refletem nos microssistemas (família, por exemplo) ou nos macrossistemas (país, por exemplo), assim como na relação entre eles. Sem percebermos, nos deparamos com certas exigências sociais que influenciam muito nossa vida e nossas decisões. Certos protótipos como ser economicamente estável, estar casados e com muitos bens aos 25 anos nos mostra muito sobre armadilhas sociais que enfrentamos, mas mesmo assim nos adaptamos a elas; por vezes, custamos a entender se fazem ou não parte de nossos desejos ou opções de vida. Essas exigências gerais também afetam a vida profissional de muitas pessoas, as quais podem sentir insatisfação no trabalho, onde essas tensões se acumulam, gerando certo estresse. Então nos perguntamos se é normal sentirmos estresse ou insatisfação no trabalho a maior parte do tempo? Talvez seja essa questão que diferencie momentos de tensão profissionais que são esperados em algumas circunstâncias (como quando as vendas caem, quando certas mudanças ou exigências acontecem ou quando a equipe está sob o comando de um novo gestor), do burnout propriamente dito. Essas definições, associadas à saúde do trabalhador, indicam que estar saudável ou não pode ser determinado pela interação do trabalhador, suas estruturas de suporte mental e os elementos do processo de trabalho.

SíndromeBurnout2Neste momento aguçamos um pouco mais nossos entendimentos para compreendermos que o burnout é uma resposta de caráter depressivo ao estresse crônico ocupacional, onde a pessoa sente um profundo esgotamento físico e emocional relacionados ao contexto profissional, geralmente apresentando sintomas de depressão e ansiedade. Geralmente incide sobre profissionais que lidam com cuidados a pessoas, onde a ação de cuidar frequentemente ocorre em situações de mudanças emocionais. Ele tem um caráter complexo e multidimensional, cuja manifestação se caracteriza por esgotamento emocional, redução da realização pessoal no trabalho e despersonalização do profissional.

Compreendendo o trabalho como algo fundamental na vida das pessoas, há investimento pessoal (emocional, físico, psíquico) no trabalho, na instituição e nas relações humanas. Isso significa que, se algo não está em harmonia, vai trazer consequências para a integridade física, psíquica e social da pessoa. Se, por um lado, o trabalho se constitui como uma atividade produtiva, com o papel de garantir a saúde, por outro, o trabalho pode implicar em adoecimento, se for caracterizado por condições precárias e falta de oportunidades de desenvolvimento profissional.

Características pessoais como rigidez, perfeccionismo, idealismo, excesso de dedicação parecem estar diretamente ligadas ao desenvolvimento da síndrome. Os sintomas físicos observados são: fadiga crônica, dores de cabeça, insônia, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquicardia, arritmias, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias e lapsos de memória. Além disso, há uma avaliação negativa do desempenho profissional, esgotamento, sensação de fracasso, sensação de impotência e baixa autoestima. Como sintomas comportamentais pode haver aumento no consumo de café, álcool e remédios, faltas no trabalho (absenteísmo), baixo rendimento pessoal, impaciência, sentimento de onipotência e também de impotência, baixa concentração, depressão, baixa tolerância à frustração, ímpeto de abandonar o trabalho, comportamento paranóico. Para que seja realizado o diagnóstico é necessário considerar o levantamento da história do paciente e seu envolvimento e realização pessoal no trabalho.

Alguns questionários baseados em teorias sobre estresse ocupacional também ajudam a estabelecer o diagnóstico. Identificar e modificar os agentes estressores que podem afetar a vida do profissional pode ser utilizado como modo de prevenção ou reestabelecimento da saúde. Alimentação equilibrada, prática de exercícios e qualidade do sono também são fatores essenciais que podem ajudar no processo do cuidado à saúde.  O tratamento inclui o acompanhamento com psiquiatra e psicólogo. É preciso que seja realizada uma avaliação para considerar a orientação mais adequada a cada caso: neste caso, o psiquiatra e o psicólogo vão trabalhar em conjunto, buscando as melhores opções de intervenção e cuidados à saúde de forma singular.

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