E assim se passaram Quinze Anos – Wagner Maia

A AMPARE completa 15 anos em 23 de abril de 2016

sr-wagnerDe repente se passaram Quinze anos… parece que foi ontem. Acompanhando minha esposa Socorro Capiberibe, acometida de Transtorno do Pânico, aos consultórios da psicóloga Cristina Jatobá e do médico Wilson Oliveira Júnior, pude começar a entender aquela doença que durante vários anos, fez não apenas a paciente, mas uma família inteira sofrer. Além disso, tomei conhecimento do sonho de Dr. Wilson, de materializar uma associação capaz de não apenas divulgar a existência do TP, mas, sobretudo, de oferecer condições de tratamento às pessoas de todas as classes sociais, especialmente as mais carentes.

Talvez pela convivência durante o tratamento, o médico tenha visto na paciente a pessoa capaz de materializar seu sonho, principalmente depois do lançamento do livro O Fantasma do Pânico ou o Fundo do Poço: Como Esquecer? Uma pessoa que teve a coragem de expor ao público todo o seu sofrimento com certeza teria condições de comandar uma associação destinada a ajudar os portadores da síndrome.

semente-plantadaEm uma das consultas ele nos deu os telefones de Tadeu Costa e de Cristina Falcão – também pacientes dele – e nos pediu para entrar em contato com eles. O mesmo ele fez com Tadeu e Cristina, dando a eles o nosso telefone. Formou-se aí o primeiro elo. Entramos em contato uns com os outros e começaram as primeiras conversas, inicialmente por telefone e internet, sobre a criação da associação. Posteriormente aderiram ao grupo: Ivan, Patrícia e Vitória, pacientes de outros médicos e que já se correspondiam pela internet com Fernando Mineiro do GRUPAN de Belo Horizonte, grupo pioneiro no Brasil, sobre TP.

Realizamos o primeiro encontro em nossa residência, ocasião em que todos nos conhecemos pessoalmente — com exceção de Cristina e socorro, minha esposa, que já haviam se conhecido alguns dias antes no apartamento de Cristina, quando Socorro esteve lá para levar uns exemplares do livro do Pânico de sua autoria, por solicitação de Cristina que queria presentear seus familiares — mas voltando ao primeiro encontro do grupo em nossa residência, numa tarde de sábado, passamos a discutir as primeiras ideias para o funcionamento da associação e começamos a elaborar o estatuto. Nesse encontro nós já tínhamos um nome para a associação: AMPARE — nome, este, criado por Socorro e bem acolhido por todos. De saída nos defrontamos com o primeiro e maior problema: Onde a associação iria funcionar? Fomos então levados por Dr. Wilson ao SIMEPE — Sindicato dos Médicos de Pernambuco — que nos apresentou ao seu amigo Dr. Ricardo Paiva, presidente da entidade, a quem apresentou o projeto da associação. Dr. Ricardo, pessoa compreensiva e humana, não só entendeu a proposta, como nos acolheu no seio do SIMEPE, disponibilizando uma sala com telefone, para que pudéssemos iniciar nossas atividades. Disponibilizou também o auditório para a realização de palestras e reuniões.

Foi então marcada para as 18h do dia 23 de Abril de 2001 a reunião de apresentação e fundação da AMPARE. Amplamente divulgada pelos meios de comunicação, graças ao prestigio de Dr. Wilson e de Dr. Ricardo, o auditório do sindicato foi pequeno para acolher o público que compareceu. A abertura da reunião e apresentação da AMPARE foi presidida por Dr. Ricardo Paiva, seguida da palavra de Ivan Cadima (Coordenador do projeto escolhido para representar o grupo) e concretizada com a palestra sobre o Transtorno do Pânico proferida por Dr. Wilson de Oliveira Jr. (Idealizador da AMPARE e Presidente de honra).

Após essa reunião os então coordenadores/fundadores da associação passaram a se revezar, na sala do sindicato, para atender pacientes em busca de tratamento e médicos e psicólogos que, entendendo a proposta da AMPARE, desejavam se credenciar para receber pacientes. Foi estipulado um preço popular para as consultas e o programa Adote um Paciente, para atender aqueles que não tinham condições de pagar.

Dr. Wilson foi o primeiro médico a adotar pacientes e Amparo Caridade a primeira psicóloga a adotar um paciente em atendimento individual. Logo em seguida a psiquiatra Zenaide Regueira adotou vários pacientes para terapia em grupo. A cada quinze dias havia reunião no auditório com um palestrante, médico ou psicólogo. Após a palestra os coordenadores recebiam os pacientes e faziam os encaminhamentos para os profissionais, cujo número aumentava a cada reunião. Foi nessas reuniões que conhecemos o Psiquiatra Janduirtes Figueiredo, que entendendo a nossa proposta humanista adotou também 6 pacientes em seu consultório e ampliou o nosso quadro de Psiquiatras levando a nossa causa para outros colegas de profissão que atuavam com ele na mesma clínica. Dr. Janduirtes permanece conosco até os dias atuais. Também nas mesmas reuniões, tivemos o privilégio de conhecer as psicólogas: Jacilene Cansanção, Maria Helena Baltar e Rosa Romano, que movidas pelo mesmo espírito de solidariedade também adotaram pacientes e vieram posteriormente a fazer parte da primeira diretoria da AMPA-RE. Embora a idéia inicial fosse compor a diretoria com os 7 Sócios Fundadores – todos expacientes ou mesmo pacientes – a desistência de três dos coordenadores, por razões particulares, levou à mudança da ideia. Dos coordenadores permaneceram apenas Socorro Capiberibe, Wagner Maia e Ivan Cadima na primeira diretoria e Tadeu Costa no Conselho Fiscal.

oliveiraFoi também de Dr. Ricardo a iniciativa de permitir o uso do site do sindicato pela AMPARE. Surgiu então o nosso primeiro site: www.sime-pe.com.briampare. Foi também com o apoio do SIMEPE que iniciamos a publicação do Jornal da Ampare sob o comando do jornalista Chico Carlos, assessor de imprensa do sindicato. Por tudo acima citado a AMPA-RE talvez não existisse se não fosse o apoio recebido de Dr. Ricardo Paiva, hoje nosso Sócio Benemérito. A ele nossa eterna gratidão. Com o término da gestão do nosso benemérito, a nova administração precisou da sala para outra finalidade e a AMPARE viu chegada a hora de tentar crescer com suas próprias pernas. Foi alugada uma sala na Rua Conselheiro Portela no Espinheiro, paga pelos próprios diretores, onde além dos plantões eram feitos atendimentos psicoterapêuticos. Quanto às Palestras, continuaram sendo realizadas no auditório do SIMEPE. Passamos depois para a Av. Norte, também no Espinheiro, já então com duas salas e transferimos as nossas palestras para a Matriz do Espinheiro, gentilmente cedida por Frei Geraldo. O crescimento na procura de atendimento nos fez procurar um espaço maior e ai surgiu a AMPE — Associação Médica de Pernambuco — na Rua Oswaldo Cruz, na Boa Vista, onde encontramos uma grande acolhida por parte de sua presidente a D&. Jane Lemos. Inicialmente com três salas e hoje com sete. Utilizamos também o auditório Bruno Maia para a realização de nossas palestras e o auditório Octávio de Freitas (de maior porte) para a realização de nossos fóruns. Isto porque desde 2002, quando ainda realizávamos nossos encontros no SIMEPE, passamos a realizar a cada dois anos fóruns com a presença de renomados profissionais da área de saúde para discutir as novidades sobre as diversas patologias atendidas na AMPARE, pois com a falta de associações especializadas e a grande procura por parte de pacientes de outras patologias da esfera emocional, a AMPARE ampliou o seu atendimento Psiquiátrico / Psicoterapêutico para essas outras enfermidades mentais. Também entre as atividades da AMPARE estão as palestras realizadas em diversas entidades, empresas públicas e privadas, principalmente nas faculdades da área de Saúde, onde procuramos levar a mensagem de que o Transtorno do Pânico, se tratado adequadamente tem cura ou pelo menos controle. Finalizo com um pensamento que cultivo e que simboliza o meu desejo para todos os anos vindouros da Instituição que ajudei a criar e que há 15 anos acompanho passo a passo, dando o melhor de mim juntamente com a minha família, para o seu crescimento:

“Que todo aquele que buscar a AMPARE encontre o AMPARO que necessita!”

Wagner Maia / Sócio Fundador Presidente (2011 — 2015)

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