De conversa em conversa aprendi quando é preciso esquecer a pressa

A citação a seguir talvez não tenha se dado exatamente como a transcrevi, nem com as mesmas palavras e nem na mesma ordem, mas penso que consegui captar o seu verdadeiro sentido e busquei transcrevê-la da forma mais fiel como a escutei e como consegui traduzi-la.

“Quando na vida precisamos acompanhar uma pessoa mais lenta, temos que esquecer a nossa pressa, do contrário nunca a “teremos conosco” e perdemos a oportunidade de usufruir de sua companhia e compartilhar momentos inesquecíveis…”
(Pe. Fábio de Melo / Na CANÇÃO NOVA / Programa DIREÇÃO ESPIRITUAL / em 25 de Maio de 2011).

Refleti muito sobre isso e pensei “nos passos lentos” da minha mãe – impostos pelo cansaço dos seus 82 anos e pelas limitações provocadas por um “AVC”… E também nas pessoas que são “lentas por natureza”… (eu tenho uma filha assim).

Lembrei ainda com muita ternura que sempre que caminho com mamãe me vem na mente aquele trecho da música de Roberto Carlos: “Esses passos lentos de agora / caminhando sempre comigo / já correram tanto na vida / meu querido, meu velho, meu amigo…” (Lindo e verdadeiro).

Postei a citação de Pe. Fábio de Melo no “Facebook” e comentei sobre a minha interpretação…

socorro_idosaCada pessoa tem o seu próprio ritmo. Cada pessoa é única. Entretanto, todas são igualmente importantes, necessárias e capazes. É preciso respeitar as diferenças.

As pessoas não precisam mudar seu perfil para serem AMADAS… E, se nós as queremos em nossas vidas, nós podemos “desacelerar” o passo e continuar a AMÁ-LAS tal qual elas são…

Foi interessante. A partir daí começaram a surgir comentários que complementavam a minha reflexão…

Minha sobrinha Gabriela escre-veu-me assim:
– Exatamente tia. Cada um tem seu ritmo e nós aprendemos a andar nesse ritmo só pelo grande prazer dos momentos que relógio nenhum con-
seguiria marcar.

De conversa em conversa aprendi quando é preciso esquecer a pressa Uma pausa para reflexão …

Maravilhoso. Pensei. E senti que deveria dar continuidade aquela reflexão e deixar-me ajudar com os comentários de outros amigos e familiares que se interessaram pelo tema.

Marina, uma amiga da família, então, acrescentou:
– Verdade Socorrinho, antes de terminar de ler também eu já pensei em Dona Ruth – ainda se referindo à minha mãe – ela é uma pessoa fantástica, um exemplo de vida que nos faz ter vontade de caminhar lentamente só pelo prazer de sua companhia, só para ouvir com atenção seus grandes ensinamentos…

Outro comentário foi postado por Mauricio, amigo de minha filha Mariana, e ele dizia assim:
Tia, um verdadeiro aprendizado o que Padre Fábio nos ensina. Sou fã de suas palestras. Certo dia, ele contou que devemos sempre entender o tempo do outro…

Citou o exemplo da mãe dele… Disse que algumas vezes ela fazia coisas que ele não concordava, não admitia; mas que precisava entender que aquele era o tempo (mental) dela. O mesmo acontece com as pessoas que convivemos diariamente.

Não podemos exigir que as pessoas pensem iguais a nós e levem a vida como nós levamos. Cada um tem o seu tempo. É preciso entender e respeitar o limite de cada um.

Fiquei feliz. Meu texto ganhou vida. Minha reflexão se aprofundou.

Concluí que há pessoas lentas pela sua própria natureza e outras que se tornaram lentas pelas imposições da vida. Algumas cumprem sua jornada de trabalho em 6 horas sem dificuldades, enquanto outras precisam de mais tempo para realizar as mesmas atividades e prolongam o seu expediente por mais duas ou três horas excedentes… –
Eu tenho uma filha assim…. – Umas não são melhores do que outras… Ambas dão o melhor de si e cumprem suas tarefas com dedicação e responsabilidade. Cada uma
no seu ritmo. Cada uma com o seu tempo.

De uma forma ou de outra, se nós as amamos e desejamos “tê-las” conosco, nós temos que “esquecer nossa pressa” ou “desacelerar nosso passo” para que possamos caminhar juntas… É a única forma de compartilhar da sua companhia e crescer com a sua sabedoria ou corremos o risco de “perdê-las em vida”.

Em outra ocasião, ainda sobre o assunto em pauta, escutei do palestrante – o Psicólogo e Escritor Luiz Schettinni Filho – algo muito interessante, sobre os pais, que em meio a “Pressa dos dias atuais”, não tem tempo para escutar os filhos e perdem a chance de ouvir histórias fascinantes e significativas da vida deles, deixando-os frustrados, com suas “histórias interrompidas” e jamais concluídas…

Isso vem reforçar um pensamento antigo que cultivo e no qual acredito:
“É preciso ter tempo para cada pessoa amada, enquanto a temos perto de nós e enquanto há tempo… Porque pode chegar o tempo que se queira ter tempo e não haja mais tempo… ou porque a pessoa se foi… ou porque o tempo passou!!!”
(Socorro Capiberibe)

“Depois, todo remorso e toda saudade que se possa sentir, não serão suficientes para trazer a PESSOA
AMADA de volta!!!” (?) (Inspirada numa conversa com minha mãe… (Mamãe, a senhora está certa!!!)

Socorro Capiberibe
Recife, 27 de Maio de 2011

Do próximo livro da autora:
SOCORROCAPIBERIBE.COM.VOCE // FACE A FACE, que será lançado no VII FÓRUM AMPARE SOBRE SAÚDE MENTAL, em 15 de Abril próximo.
Concluí que há pessoas lentas pela sua própria natureza e outras que se tornaram lentas pelas imposições da vida. Algumas cumprem sua jornada de trabalho em 6 horas sem dificuldades, enquanto outras precisam de mais tempo para realizar as mesmas atividades e prolongam o seu expediente por mais duas ou três horas excedentes…

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