Uma pausa para reflexão Sobre perdas…

felipe_capiberibeOntem morreu meu vizinho. Já tinha bastante idade – não sei se há uma idade bastante para viver – vinha doente desde algum tempo. Confesso que não simpatizava com ele, mas isso já não importa.

Aconteceu que acordei lá pelas cinco da manhã e me ocorreu que as pessoas, se não todas, mas, a grande maioria, se refere à morte… como uma perda. Fiquei pensando em pessoas queridas que já não estejam entre nós, pelo menos na forma física.

Não perdi nenhuma delas pelo fato de haverem morrido. Há outras, entretanto, que ainda vivas, perderam-se. Deixaram de existir. A morte não põe fim as relações criadas em vida. Quando isso acontece é porque essas relações já haviam acabado antes.

Conversamos recentemente, uma amiga e eu, sobre as mudanças que acontecem nos nossos relacionamentos
durante a vida. Se considerarmos que existir é um processo dinâmico, que as nossas necessidades
não são sempre as mesmas, é compreensível que as mudanças se reflitam direta ou indiretamente nas
nossas relações.

Contudo, há relacionamentos que duram toda uma vida, e isso não depende só das afinidades – há que
se fazer uma distinção entre afinidades e cumplicidade – que unem as pessoas. Discordar não é ser contra, é tão somente enxergar de outro modo. Certamente o respeito pelas diferenças é essencial para que isso ocorra.

Há alguns cuja intolerância não permite aceitar e entender as escolhas daqueles com quem convivem,
e tentam lhes impor a sua visão particular sem considerar que as necessidades de cada um pertencem a um domínio pessoal, íntimo, que atendem a exigências próprias.

É habitual que por essa cegueira muitas relações que trouxeram outrora momentos agradáveis acabem, quando poderiam permanecer desde que essas diferenças não se tornassem um impedimento.

Concluí que é mais comum perder-se os vivos do que os mortos.
Lamentável? Talvez seja. Porém há situações que não nos permite outra escolha.

Autor: Luis Filipe Marinho Capiberibe

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