Palavra de Quem Sente: IRENILZE PAIXÃO

Minha história não é diferente de muitas pessoas que conheci nas reuniões ou na sala de espera da AMPARE, também não posso dizer que ela é extraordinária, mas o importante é que através dela os leitores deste, possa inteirar-se do valor do acolhimento, atenção e amparo que cada cliente recebe, sem contar com o grande calor humano aqui existente, onde terapeuta e cliente formam uma grande família.

           Em 1998, enquanto defendíamos uma criança vítima de estupro fui violentamente atacada por um homem com fortes traços de psicopatia que com grande furor me proferiu vários golpes com arma branca (facão). Consegui me salvar adentrando em uma residência onde havia chegado do plantão uma enfermeira e esta junto com seu esposo socorreu-me imediatamente. No caminho para o hospital eu, a mulher forte e corajosa como sempre fora vista por parentes e amigos estava de pé. Não derramava uma lágrima, pelo contrário, era eu quem orientava os enfermeiros e médicos acerca da localização dos ferimentos, da hemorragia, era eu quem telefonava para meus irmãos para dizer onde ir me encontrar. Com 3 fraturas expostas no braço, a mão quase decepada não me permitia sentir nada. E para tornar a situação mais difícil 9 dias após essa tragédia meu pai veio a falecer, mas eu não me permiti a sentir nada, mesmo em recuperação, ajudei minha família a resolver todas as questões relativas ao velório e ao enterro, a mulher forte continuava de pé. E foi “esse nada” que após dois anos diante de uma situação de perigo me levou a entrar no mundo do medo incompreensível.

De repente eu não consegui mais dormir bem, tive que mudar a posição do quarto para que a porta ficasse ao meu alcance, precisava me defender, não sei de que, talvez de mim mesma. Percebi que precisava de ajuda e após solicitar o apoio de minhas irmãs este de grande importância e ajudada por uma psicóloga fui encaminhada a AMPARE.

O primeiro contato foi com Jacilene Cansanção Bittencourt, que com sua voz suave, doce, me acolheu e com ela iniciei minha trajetória, ela percebendo minha dificuldade me encaminhou ao Dr. Janduirtes Figueiredo, eu precisava de auxílio da medicação e este o fez; sabia o meu diagnostico: depressão. Cheguei no II aniversário da AMPARE, me senti sempre acolhida, compreendida por cada profissional e pessoal de apoio, parte desta família.

O trabalho foi difícil, mas ao longo do tempo me sentia mais capaz, o medo foi desaparecendo e no 3º mês de acompanhamento, a medicação foi suspensa, recebi alta do psiquiatria e com um carinho de pai o Dr. Janduirtes me orientou para prosseguir o meu caminho acreditando na minha força interior e assim o fiz.

Tinha sonhos para o futuro e com a recuperação das forças prestei vestibular na Faculdade de ciências Humanas de Olinda e iniciei o curso de psicologia. Não deixei a psicoterapia e me tornei a cada dia uma divulgadora da AMPARE através da distribuição dos jornais, inscrição nos congressos e incentivo a meus amigos a participar dos eventos promovidos.

           Em 2007, recebia alta da psicoterapia (fazendo um esforço enorme para não deixar), mas lembro ainda hoje das palavras de Jacilene: “A vida é feita de ciclos e o seu aqui terminou, mas eu vou estar sempre aqui, não vou sumir de sua vida” e quando eu precisei, realmente ela estava lá, com o mesmo sorriso, o mesmo acolhimento, docilidade e intervindo de forma serena e segura, pois são estas qualidades que cada profissional desta instituição está imbuída.

           Em 2008 terminei meu curso e terminei também meu tempo em Recife. Estou morando em João Pessoa, me tornei Psicóloga, mas não esqueci que fui ajudada, amparada pela AMPARE e como profissional descobri outros valores que vão além do ter, do retorno financeiro que cada profissional almeja. Sei o quanto é importante ser para o outro um porto seguro, sei que assim como eu sofri o medo e fui ajudada outras pessoas também esperam de mim a mesma atitude que tiveram o Dr Janduirtes e a Jacilene e é assim, na simplicidade, no respeito, no acolhimento da dor e do sofrimento do outro que trilho meu caminho.

Meu consultório está localizado na periferia de Santa Rita, meu projeto: ajudar as pessoas que não tem tanto dinheiro e que precisam ser ouvidas, ser cuidadas com dignidade. Tenho outros planos para o futuro. Por hora me basta sentir que “foi recebendo o AMPARO DA AMPARE e das minhas irmãs que posso agradecer a Deus pela alegria de viver”.

Depoimento de: IRENILZE PAIXÃO

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