Lições do Relógio

ft08-01-2015_070544Sempre quis ter um relógio de bolso. Achava bonito, quando meu pai tirava o dele de um pequeno bolso que, antigamente, havia nas calças dos homens. Parece que era próprio para aqueles relógios redondos e finos, quase como uma bolacha Maria.

Não faz muito tempo, ganhei um de presente. Presente da minha mulher. As mulheres têm certas sensibilidades que os homens não possuem.

O fato é que, hoje, tenho um relógio de bolso. O surpreendente é que ele não somente me dá conta das horas. Confirmei com ele uma antiga lição que aprendi na convivência com as angústias alheias.
Observei que o ponteiro que marca os segundos é rápido e agitado nos seus movimentos. Vê-se, a cada segundo, o que ele produz. Não pára; está sempre mostrando serviço. É da sua natureza. Se fosse uma pessoa, quem sabe, seria um “hiper-ativo”. É o jeito dele.

O outro, o que marca os minutos, com o seu passo cadenciado, comedido, não mostra com facilidade seus movimentos. Sabemos que, caminha. Produz o que dele se espera. É preciso, no entanto, calma e paciência para perceber seus movimentos. Nem por isso produz pouco. Não “cria” apenas segundos; constrói minutos.

O menor de todos – o que marca as horas – esse, nem pensar em vê-lo movimentar-se. Por mais paciência que tenhamos… Jamais iremos perceber sua marcha. Mas, que ele se mexe, não há dúvida. Lento, lentíssimo ele vai construindo não apenas segundos e minutos. É o artífice das horas.

Extraordinário! Três ponteiros com funções distintas, de conformação diferente, cada um com seu ritmo próprio, fazem, praticamente, a mesma coisa: indicam o tempo. São indicadores implacáveis de nossa história. Eles nos falam do tempo que já passou. E o tempo que ainda virá? Sobre isso, nada podem dizer.
Talvez a maior lição do meu relógio de bolso não venha através das horas que inscreve em um relatório implacável o tempo que já não temos mais. A grande lição do meu relógio aparece através do silêncio de profunda significação histórica. Ele não pode mostrar o tempo que ainda virá. É sobre esse tempo que o meu relógio não marca, que tenho de construir meus projetos e cumprir a missão incrustada no meu sentido pessoal de vida.

O tempo que é só meu e que ninguém poderá usá-lo, é também o tempo que somente eu poderei perder. Usar ou perder o tempo dependerá apenas da visão que temos da vida. Com certeza, é verdadeiro o que dizia o velho sábio dos relatos bíblicos: “Há tempo para todas as coisas debaixo do sol”.

Luiz Schettini Filho
Psicólogo e Escritor

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