Distimia

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destimiaSabe-se hoje que as perturbações do humor, incluindo o que se chama de distimia, são situações médicas freqüentes. Dados de importantes estudos epidemiológicos deste e de outros países indicam que a taxa de prevalência da distimia, ao longo da vida, nas pessoas acima de 18 anos, é de 3,1%. Estima-se que nos doentes ambulatoriais essa taxa se situe entre 10 a 20%. Entretanto, apesar de números tão alarmantes, as doenças do humor, especialmente a distimia, ficam geralmente sem ser reconhecidas.

Nos consultórios de clínica geral, muitas vezes os pacientes distímicos apresentam-se com sintomas somáticos, físicos, como problemas digestivos, dores de cabeça, nas costas, no peito, musculares, nas articulações, tonturas, etc., que dificultam o diagnóstico da distimia. Nos ambulatórios de psiquiatria, esses doentes freqüentemente apresentam-se com outros transtornos psíquicos – a depressão, a ansiedade (inclusive os ataques de pânico), o abuso de drogas (como alcoolismo) e os distúrbios da personalidade – que encobrem a distimia, também fazendo com que esta doença não seja adequadamente diagnosticada e tratada.

De origem grega, o termo distimia significa mal-humorado e se referia a um temperamento voltado à Melancolia. Na Grécia Antiga, a melancolia era considerada um problema mental, caracterizado por medo intenso e depressão, como nas palavras de Hipócrates: “se o medo e a tristeza duram muito tempo, tal estado é próprio da Melancolia”. Assim parece ter sido a primeira associação do termo distimia ao sentido atual de uma depressão crônica leve.

Os estados depressivos crônicos são descritos em Psiquiatria há séculos. Antigamente confundida com temperamento depressivo,  hoje, segundo as diretrizes diagnósticas da Classificação Internacional das Doenças (CID 10), a distimia seria um quadro depressivo crônico (de pelo menos dois anos), com sintomas de intensidade leve, que se inicia precocemente na vida adulta. Pode durar vários anos, às vezes até indefinidamente, e traz sofrimento e prejuízos significativos para o paciente e os que o cercam.

A distimia caracteriza-se por sintomas como: cansaço, tristeza, preocupação, insônia (ou excesso de sono), perda de apetite e peso (ou aumento do apetite e do peso), baixa auto-estima, diminuição da capacidade de concentração, perda do interesse e do prazer. Além desses, sintomas como irritabilidade, impaciência, mau-humor persistente e a sensação de estar somente levando a vida, sem conseguir vivenciá-la em sua plenitude, podem dominar o quadro clínico.

Em relação aos fatores causais, o desenvolvimento da distimia depende tanto de fatores genéticos, como ambientais. Os fatores genéticos têm um papel importante e podem ser responsáveis pelo início precoce e pela cronicidade da doença. Entretanto, outros fatores também são muito importantes como as perturbações da personalidade e os acontecimentos traumáticos na vida de uma pessoa, dentre outros.

É importante lembrar que Depressão Maior e Distimia não são excludentes numa mesma pessoa e que há o que se chama de Depressão Dupla, ou seja, um indivíduo dístimico pode fazer um episódio depressivo maior ao longo de sua vida e os dois diagnósticos coexistirem temporariamente. Assim, nos dados do ECA – o melhor estudo epidemiológico em psiquiatria para avaliar a prevalência de transtornos do humor na comunidade – realizado na década de 80, nos EUA, a prevalência, ao longo da vida, de depressão dupla é de 1,4%; enquanto apenas de depressão é de 3,5% e apenas de distimia é 1,8%. Noutras palavras, 42% dos distímicos têm depressão e 28% dos deprimidos têm também a distimia.

A distimia é pouco diagnosticada e raramente tratada. O primeiro ponto no tratamento é informar o paciente e a família de que seus sintomas fazem parte de um transtorno do humor(como a depressão e o transtorno bipolar) e que com o manejo adequado, medicamentoso e psicoterápico, podem desaparecer. O segundo ponto é informar que essa melhora não é imediata. São necessárias algumas semanas para se observarem os efeitos da medicação e da terapia. Esta deve proporcionar um ambiente em que os pacientes se sintam livres para falar e sentir que seu sofrimento é compreendido.

Os benefícios do tratamento podem ter ampla conseqüência e prevenir danos irreparáveis na vida das pessoas acometidas pela distimia. Vale salientar que, como os outros transtornos do humor, a distimia resulta em elevado risco de suicídio. Assim, o sucesso do tratamento depende também do apoio familiar, aliviando o sofrimento dos vários distímicos, com significativa melhora na qualidade de vida dessas pessoas que pensam que são tristes e desanimadas para a vida por natureza…

Simone Andrade é médica psiquiatra integrante do SPPA

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