A Palavra de Quem Sente: ERIC CAVALCANTI

palavra2Eu era uma pessoa ansiosa, sempre pensando no futuro e muitas vezes esquecendo o presente, achava que o meu trabalho exigia muito de mim, e qualquer coisa me deixava nervoso. Deixava de passear nos fins de semana para ficar em casa estudando, quanto mais eu estudava mais percebia que tinha muita coisa para aprender na minha área, queria aprender tudo, quando saia de casa e não estava estudando ou trabalhando achava que estava perdendo tempo. Pensava que jogar conversa fora com os amigos era perda de tempo. Estava sempre a procura de um futuro que não chegava.

Em Fevereiro de 2002 , eu e minha esposa as 7:00 da manhã estávamos assistindo uma missa no Janga, concentrado na missa e sem nenhuma sensação desagradável até então. De repente ao me levantar do banco meu coração disparou, comecei a ficar tonto e a nuca formigava. Aquela sensação de mal-estar nos fez ligar para casa de minha sogra e pedir que alguém fosse nos buscar. Ao chegar na casa dela repousei e aquela sensação estranha foi passando. À noite no meio do caminho dirigindo voltando para a casa a mesma sensação desagradável apareceu, me forçando a estacionar e pedir ajuda dos meus pais. De lá fomos logo para uma urgência cardiológica, os minutos de espera para o atendimento pareciam uma eternidade, a sensação era terrível, vertigem, náuseas e aperto no peito. Assim que fui chamado para ser atendido e sentei na frente do médico tudo foi passando rapidamente. E quando o médico começou a me examinar já não sentia mais nada. Não encontrando nada de anormal fui aconselhado apenas evitar substâncias que continham cafeína e fazer testes cardiológicos mais apurados. Na época tinha acabado de sair de uma empresa e já entrando em outra que estava sendo criada, e por ter perdido o plano de saúde tive que fazer um particular e esperar a carência para poder realizar os exames cardiológicos. Durante esse período eu não podia sair de casa que me sentia mal. Meu pai me emprestou um livro de Yoga que descrevia mais ou menos o que eu sentia e chamava a sensação de a coisa . Então foi assim que comecei a chamar o que eu sentia. Como estava ainda trabalhando de casa, pois a nova empresa ainda não tinha montado o escritório, eu estava conseguindo passar dias sem sentir a coisa . Depois de três meses a coisa foi deixando de me incomodar, seis meses depois, quando terminou a carência do plano, fiz os testes cardiológicos e nada de anormal foi identificado. Pensei comigo, o que quer que tenha sido se foi.

Alguns meses depois queria ficar em forma para poder jogar minhas peladas de futebol e vôlei. Então numa bela noite fomos eu, minha esposa e minha mãe caminhar. Depois de alguns minutos caminhando comecei a pensar na coisa , comecei a ficar ansioso e de repente ela ataca. Senti um calafrio no corpo, coração disparou, falta de ar, pensei que eu ia morrer. Voltamos para casa e mais uma vez entrei num período de crises de aproximadamente quatro meses. Mais uma vez fiz vários tipos de exames e nada era encontrado, comecei a ficar transtornado porque ninguém descobria o que eu tinha, ou pelo menos uma pista e comecei a desacreditar na medicina por esse motivo.

Passado os quatro meses minha vida começava a voltar ao normal e meu único medo era andar muito para a coisanão aparecer novamente. Meses depois indo assistir uma palestra numa faculdade tive que estacionar meu carro um pouco distante e no caminho já ansioso pensando que poderia sentir, ela atacou novamente. No mesmo dia fui para urgência e o médico de plantão finalmente identificou que eu não tinha nada no coração e o que eu tinha era Síndrome do Pânico e mandou eu procurar um psiquiatra.

Procurei um psiquiatra e ele me passou ansiolítico para tomar todos os dias antes de dormir. Passei um mês tomando o remédio sem aparente melhora, e num dia voltando para casa dirigindo a coisa atacou com mais sintomas, minhas mãos começaram a formigar e a garganta fechando. Naquele momento entrei em desespero, e não sabia mais se o que eu tinha era Síndrome do Pânico.

Disseram que meu problema não era Síndrome do Pânico e sim problemas espirituais. Desisti de ir ao psiquiatra e fui tentar me tratar espiritualmente. Passei seis meses nesse tratamento espiritual e nada de melhoras. Nesse período recebi de um amigo o Jornal daAMPARE , e ao ler um relato como esse, pensei comigo, que tudo aquilo era muito parecido com que eu sentia, mas decidi continuar no tratamento espiritual. Uma amiga de trabalho da minha esposa também recomendou a AMPARE, mas mesmo assim achava que o tratamento espiritual me levaria à cura.

A situação estava cada vez mais difícil nem conseguia dirigir mais sozinho. Precisava de alguém que soubesse dirigir do meu lado, pois se eu entrasse em crise ela poderia assumir o volante. Passei a não freqüentar locais públicos, não ficar em fila, não ficar muito tempo em pé, não querer sair de casa. E foram surgindo alguns medos que eu não possuía, como medo de passar em ponte, medo de elevador, medo de lugares fechados. Acho que só não perdi o emprego, pois meu irmão me levava e ia buscar todos os dias no trabalho e felizmente a coisa não aparecia no meu ambiente de trabalho, mas mesmo assim deixei a empresa ciente da minha situação e que não atrapalhava minhas atividades. Em nenhum momento eu tinha vergonha do que sentia , sempre contava para meus amigos e parentes. Mas eu estava numa prisão sem grades.

Passado os seis meses e estando cada vez mais desesperado foi quando eu e minha querida esposa decidimos ir na AMPARE . Sai da AMPARE com as consultas marcadas. Após a consulta com o Dr. Edgar Pessoa de Melo sai convencido de que agora estava tomando as medicações certas e da maneira correta. Então fui para a primeira sessão com a Dra. Jacilene Cansanção e sai mais convencido ainda de que estava no caminho certo.

Decidi, então, acreditar no tratamento, os dias foram se passando e a coisa lentamente ia desaparecendo, com a terapia e a leitura de livros passei a me conhecer melhor, a enxergar a vida de uma forma saudável, a confiança em mim mesmo estava aos poucos sendo retomada. Comecei a identificar as coisas que me deixavam ansioso e procurei enxergá-las de uma forma saudável e que muitas delas não mereciam tamanha ansiedade. Comecei a eliminar os pensamentos que me traziam ansiedade e passei a pensar apenas em coisas positivas. A minha esposa e o restante da família que sempre estiveram presentes nos momentos mais difíceis vibravam com cada conquista minha . Meus amigos de trabalho também foram muito importantes na minha recuperação, sempre me incentivando a vencer meus medos e respeitando meus limites.

         Faz menos de seis meses que procurei a AMPARE e mesmo ainda com algumas pequenas limitações, que tenho certeza que serão superados, tenho minha vida radicalmente mudada. Voltei a ser a pessoa animada que eu era, voltei a dirigir só, voltei a praticar alguns esportes, praticamente voltei a minha vida normal . Só que agora de um modo diferente, curto cada minuto de minha vida, ainda penso no futuro, mas não com ansiedade e sim fazendo o presente. Percebi como é bom estar com os amigos e a família, e o como é bom “jogar conversa fora”. Entendi que conhecer o meu Eu, é conhecer meus erros e consertá-los, é ter um maior controle da minha vida, é a tão desejada confiança, e isso começa a transparecer para as pessoas que estão ao seu redor, e tudo começa a ficar belo para você. Neste momento você começa a compreender que tudo está da mesma forma e você não precisou mudar nada externamente e sim internamente. Deus está dentro de cada um de nós.

Alguns Livros que me ajudaram:

O Poder Infinito da sua Mente
O Sucesso é Ser Feliz
Quem mexeu no meu Queijo
Autodescobrimento – Uma busca Interior.

Eric Cavalcanti, 27 anos, Analista de Sistemas.

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