O surgimento da abordagem cognitivo – comportamental em Pernambuco

Benerea Yace Donato

Diferentes abordagens seguem convivendo e tentando, cada uma a seu modo, explicar e modificar o comportamento dos indivíduos. Entretanto, devido às suas especificidades, algumas vêm se adaptando e assimilando mais rapidamente as mudanças que ocorrem tanto na ciência como em nosso dia a dia. A Psicoterapia Cognitivo – imagesComportamental (PCC) é um exemplo de abordagem bem sucedida, pois vem demonstrando ao longo dos anos uma série de estudos que comprovam sua eficácia, além de desenvolver continuamente técnicas que levam as pessoas a obterem mais rapidamente progressos sensíveis em suas problemáticas. No processo clínico, inicialmente, o terapeuta cognitivo objetiva devolver junto ao paciente uma flexibilidade cognitiva, através da identificação e mudança de suas cognições. Ao longo do processo terapêutico, atua diretamente sobre o sistema de crenças do paciente a fim de promover sua reestruturação cognitiva. Em paralelo, ainda é utilizada uma abordagem de solução de problemas e enfrentamento das situações.

Seu modelo cientificamente fundamentado, através de estudos, lhe confere a posição de abordagem de escolha em vários países. No Brasil, teve seu surgimento na década de 70, embora só tenha sido difundida nos anos 80 com o lançamento do livro Manual de Psicoterapia Comportamental de autoria de Lettner e Ránge (1988) e nos anos 90 com a fundação da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC) e da Sociedade Brasileira de Psicoterapias Cognitivas (SBTC). Em Pernambuco sua prática só começou no nos anos 90, por iniciativa do então Presidente da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria Clínica, Dr. Everton Botelho Sougey, que para marcar a introdução do conhecimento da abordagem no Estado, trouxe para Recife uma das maiores sumidades na época em Psicoterapia Cognitivo-comportamental , o Professor Marcos Rogério (PB), que já coordenava grupos de formação há 15 anos no estado Paraíba e tinha a psicóloga Beneria Donato como uma de suas seguidoras. O professor Marcos Rogério participou de alguns eventos em Recife, difundindo a abordagem para os profissionais e os estudantes pernambucanos. Pouco tempo depois (1998), as psicólogas Beneria Donato e Erika Marques ministraram um curso de introdução sobre a Abordagem, no Hotel Canarius, que teve uma boa aceitação por parte dos participantes. Como já tinha vivência na prática, Beneria Donato passou a atuar como psicóloga clínica também no Estado de Pernambuco, ajudando a difundí-la, quando em 1999 surgiu a oportunidade para se conveniar a Universidade Federal de Pernambuco – UFPE (Convênio Particular) com o objetivo de supervisionar os alunos de psicologia que tinham interesse pela referida abordagem como opção de formação. Outra profissional da área, pioneira na aplicação da abordagem é a Psiquiatra Kátia Petribú, que após concluir tese de mestrado em Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) pela UFPE , verificou que os estudos já apontavam a utilização da Psicoterapia Cognitivo – Comportamental como a melhor opção. Seu interesse surgiu por uma necessidade de aplicação na prática clínica diária. Segundo a Psiquiatra, a PCC é uma técnica breve, direta, focalizada na resolução de problemas e não de conflitos. Mas que para se obter sucesso, precisa ser vista com bastante cautela.

No tratamento psicológico, o indivíduo é ensinado a identificar os pensamentos que originam as perturbações emocionais e a substituí-los por modos de pensar mais racional. Ao longo deste processo, o indivíduo aprende técnicas que produzem o alívio dos sintomas, a resolução de problemas de vida e a melhoria da auto-estima, bem como o aumento do autocontrole sobre os seus próprios problemas. A PCC envolve a determinação de objetivos específicos e claramente definidos entre terapeuta e cliente, que ajudam a minorar os problemas os quais estejam interferindo no funcionamento do cliente, geralmente tratando-os de uma maneira gradual.

Segundo Dr. Everton Botelho a abordagem vem ganhando força com o tempo. Inclusive, no final dos anos 90, logo após chegar a Recife a psicóloga Luciana Gropo (SP), um grupo de profissionais, entre eles: Adriana Bandeira, Arnaldo Assumpção, Beneria Donato, Marcelino Bandim e Everton Botelho, tentou criar uma sociedade, mas que por falta de ligação com outras sociedades e até mesmo pelo cenário do país na época, a tentativa não deu certo. Apenas no ano de 2002, para marcar oficialmente a existência de um grupo no estado de Pernambuco que utilizasse a PCC como abordagem e expandir a mesma, seis psicólogas se uniram e criaram o Núcleo Pernambucano de Psicoterapia Cognitivo – Comportamental (NPC). Na ocasião de oficialização do núcleo ocorreu um Worshop com o Psicólogo Espanhol Vicente Caballo, autor de vários livros sobre a abordagem, que veio exclusivamente para inaugurar o NPC. No mesmo ano, o núcleo realizou um Curso Introdutório de Psicoterapia Cognitivo – Comportamental voltado para psicólogos e estudantes. Em 2003 intensificou-se o trabalho de supervisão em Psicoterapia Cognitivo – Comportamental com o inicio de mais grupos supervisionados pelas psicólogas Beneria Donato e Luciana Gropo. O principal objetivo do Núcleo é informar a população em geral, aos profissionais e estudantes da área de saúde mental sobre a PCC e seus benefícios. Desde então várias universidades e sociedades têm convidado os seus membros para proferirem palestras informando sobre esta abordagem. As psicólogas responsáveis pelo seu surgimento são; Adriana Bandeira, Benéria Donato, Cristina Jatobá, Jacira Andrade, Luciana Gropo e Tereza Rêgo.

No momento, a Psicoterapia cognitivo-comportamental vem ganhando espaço na mídia geral e especializada, ao mesmo tempo em que vem atraindo crescente atenção, tanto da parte de profissionais e estudantes da área de Saúde Mental, como também do público em geral, em busca de um tratamento eficaz. Observamos que pelo reflexo do seu surgimento e desenvolvimento recente entre nós é comum, a escassez de centros de treinamento autorizados, situação, porém, que tende a evoluir. Dra. Kátia Petribú acredita, inclusive, que em pouco tempo a Psicoterapia terá um espaço bem maior do que há um ano atrás e que, provavelmente existirão cadeiras nas universidades de formação específica com o objetivo de capacitar os jovens profissionais e até mesmo os mais antigos e também cursos de especialização na área. Segundo a Psicóloga Adriana Bandeira, diversas faculdades têm mostrado interesse no assunto. O Esuda, inclusive, partiu na frente sendo atualmente a única faculdade que possui uma cadeira de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental em seu curso de Psicologia. Outras universidades já sinalizaram interesse em ministrar cursos de pós –graduação.

Na tentativa de difundir ainda mais esse conhecimento a respeito da abordagem, dia 29 de setembro do ano de 2004 foi fundada a Associação Pernambucana de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental (APC). A associação tem dentre suas metas: organizar eventos nessa abordagem, apresentar a importância da PCC e formar grupos de estudos científicos. Foi um verdadeiro marco histórico. No dia da sua 1ª Assembléia, foram apresentados o Estatuto, o Projeto gestor e a chapa única com os cargos de Presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, comissão fiscal e suplentes. Os cerca de 50 psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e estudantes convidados elegeram com unanimidade a diretoria da APC e puderam se associar como membros fundadores. A atual presidente é a psicóloga Beneria Yace Donato, que ministra a disciplina de PCC no ESUDA. No dia 10 de dezembro de 2004, com o apoio do ESUDA, a APC realizou o I Simpósio Pernambucano de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, o evento contou com 40 participantes e oficializou o inicio dos trabalhos científicos da referida Associação.

Beneria Yace Donato é psicóloga clínica e hospitalar, Psicoterapeuta cognitivo-comportamental, professora do curso de psicologia da Faculdade ESUDA, membro do NPC e presidente da APC.

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