Terapia Cognitiva Comportamental: teoria e prática.

Jane Lemos
PSIQUIATRA – DIR. TÉCNICA DA AMPARE

artigo23_foto01A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), desenvolvida por Aaron Beck nas décadas de 60 e 70 inicialmente aplicada à Depressão, nas últimas décadas teve expressiva expansão com indicação para uma diversidade de transtornos mentais, entre os quais transtornos fóbicos, ansiosos, obsessivo-compulsivos, alimentares, de estresse pós-traumático, transtornos de Personalidade e Dependência Química, com literatura significativa.

Na teoria da Terapia Cognitiva Comportamental, Beck fundamentou-se na noção de que o que conta não é a vivência em si, mas, o significado que o indivíduo dá a essa vivência, ou seja, como interpreta o que acontece.

Baseou-se na ideia de que os sentimentos e comportamentos são determinados pelo modo como se estrutura o mundo, ou seja, as cognições. O objetivo é produzir mudanças cognitivas – no pensamento e nas crenças visando a mudança emocional e comportamental. É ressaltado três níveis de crenças ou estruturas cognitivas: Crenças centrais; intermediárias ou subjacentes e pensamentos automáticos.

artigo23_foto02Crenças Centrais: ideias globais, supergeneralizadas e absolutas da pessoa a respeito de si mesma, dos outros e do mundo, enquanto “esquemas” seriam as estruturas cognitivas que contem as crenças; Crenças intermediárias ou subjacentes: baseadas nas crenças centrais que existem em forma de regras ou suposições interferindo no comportamento, resultando de processos de aprendizagens; Pensamentos automáticos: existem simultaneamente com o fluxo normal do pensamento, são comuns, rápidas e involuntárias, ativadas a partir de situações do cotidiano.

Em geral são aceitos como legítimos, muitas vezes são despercebidos, não sendo alvo de análise pelo individuo nem relacionado com sentimentos desconfortáveis. A percepção dos acontecimentos pode ser erroneamente interpretada, surgindo distorções cognitivas. A terapia Cognitiva comportamental fundamenta-se no pressuposto de que cognições, pensamentos e emoções são fatores precipitadores ou mantenedores de comportamentos.

A TCC é uma abordagem estruturada ou semiestruturada, diretiva e com prazo previamente delimitado diferentemente de outras técnicas, embora o prazo possa ser ampliado. É essencial o estabelecimento de aliança terapêutica empática, autêntica e segura, com ativa participação do terapeuta e paciente que trabalham cooperativamente para a conceituação cognitiva. Há aspectos marcantes como a utilização de técnicas e recursos para questionar os pensamentos e identificar respostas mais adaptativas

As sessões são estruturadas com elaboração de agenda para Dr. Marco Antonio Souza Leão-Presidente da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria. cada sessão. Na consulta inicial é essencial a colheita de dados: queixa atual, história do problema, antecedentes, exame mental e formulação diagnóstica; identificação do foco; trabalho educativo sobre o método; elaboração da conceituação cognitiva, contrato terapêutico e a tarefa de casa. Em outras palavras é uma entrevista de avaliação, com informes sobre o funcionamento da técnica e definição do foco. A cada sessão deve-se construir uma agenda, fazer interligação com a anterior, rever a tarefa de casa e estabelecer nova tarefa, fazendo sempre um feedback em cada sessão.

O objetivo da TCC é reestruturar as cognições disfuncionais, utilizando uma diversidade de técnicas que permitem a correção da disfunção e consequente fenômeno psicopatológico na medida em que possibilitar ao individuo a flexibilização para avaliar as situações específicas do cotidiano. Hoje, já existe evidencias de eficácia da TCC em diversos transtornos mentais e muitas pesquisas estão em andamento. Destacamos sua eficácia na depressão e nos diversos transtornos de ansiedade: Fobia, Pânico, Obsessivo Compulsivo etc. citando apenas os mais comuns.

Como foi dito anteriormente esta técnica tem ampliado suas indicações com estudos publicados demonstrando sua eficácia, havendo portanto expansão de técnicos com formação e capacitados em aplicá-la.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
1 – Knapp, P. e cols. Terapia Cognitiva Comportamental na Prática Psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed, 2004.
2 – Silva, C. J; Serra, A. M.: Terapias Cognitivas e Cognitivo- Comportamentais em dependência química. Revista Brasileira de Psiquiatria. Vol. 26 supl. 1 São Paulo Maio, 2004.
3 – Rangé, B. P; Falcone, M. O; Sardinha, A. História e panorama atual das terapias cognitivas no Brasil. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas. Vol.
3 nº 2. Rio de Janeiro dez 2007
4 – Knapp, P. Beck, A.: Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Revista Brasileira de Psiquiatria., vol. 30 supl.
2. São Paulo Oct. 2008.
5 – Organização Mundial de Saúde. – Classificação de Transtornos Mentais e do Comportamento da CID10: Descrição Clinica e Diretrizes Diagnósticas –. Tradução: Caetano, D. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
6 – Dobson, D; Dobson, K.S. A terapia Cognitiva-comportamental baseada em evidências. Tradução: Duarte, V. Porto Alegre: Artmed, 2010.

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