Depressão: um transtorno mental

Os transtornos mentais e do comportamento são considerados universais envolvendo pessoas de todas as regiões, países e sociedades, estando presentes em ambos os sexos, em todos os estágios da vida, entre ricos e pobres, nas áreas urbanas ou rurais.

     Quanto à prevalência, pesquisas realizadas em países desenvolvidos e em desenvolvimento apontam que, durante toda a vida, mais de 25% das pessoas apresentam um ou mais transtornos mentais e comportamentais. (Regier et al. 1988: Wells et al. 1989; Almeida Filho et al. 1997).

É importante assinalar que os transtornos mentais e do comportamento são comuns entre os que buscam os serviços de atenção primária de saúde (Programa de Saúde da Família, por exemplo). O estudo transcultural realizado pela OMS em 14 locais (Üstün e Sartorius 1995; Goldberg e Lecrubier 1995) apontaram que, apesar de variações locais, cerca de 24% apresentavam transtornos mentais, destacando-se a depressão com 10,4,7%..

Deve ser ressaltado o impacto considerável que os transtornos mentais e comportamentais acarretam, em múltiplos aspectos, nos indivíduos, famílias e sociedade. Além da magnitude do ônus econômico, há que se considerar o impacto sobre a qualidade de vida dos portadores e de seus familiares. Nesta perspectiva, a depressão ocupa um lugar de destaque, em 4% lugar entre as principais causas de ônus entre todas as doenças de acordo com estudos da Organização Mundial de Saúde.

A Depressão é um Transtorno do Humor ou Afetivo que se caracteriza por tristeza, perda do interesse e do prazer (anedonia), redução das atividades, diminuição da autoestima, pessimismo, sentimento de culpa, alterações do sono e do apetite, perda de peso, idéias autodestrutivas (suicídio) além de sintomas gerais como cansaço fácil, atenção e concentração diminuídas. Dependendo da intensidade dos sintomas a Depressão pode ser leve, moderada ou grave, podendo também apresentar manifestações somáticas. Pela sua relevância deve ser destacado o suicídio, ocorrendo nos casos de maior gravidade e que constitui um sério problema de saúde pública.

As causas das depressões podem ser agrupadas em biológicas, psicológicas e sociais que interagem entre si, depreendo-se que o tratamento deve ser dentro de um enfoque interdisciplinar, levando em conta todas estas dimensões, Envolve o medicamentoso, as intervenções psicoterápicas (apoio, dinâmico, cognitivo e interpessoal) e o apoio psicossocial (suporte familiar, grupo de autoajuda…)

Dentro do enfoque medicamentoso, destaca-se os antidepressivos, ás vezes associados à tranqüilizantes e estabilizadores do humor. A escolha do produto vai depender da sintomatologia apresentada, da sua intensidade e da experiência do médico psiquiatra ou clinico treinado. Pode-se afirmar que nestas últimas décadas houve um grande avanço na área de psicotrópicos, destacando-se o surgimento de antidepressivos eficazes e com menos efeitos colaterais. Não se pode, no entanto prescindir de uma boa aliança terapêutica fundamental para o êxito terapêutico especialmente para a melhor adesão ao tratamento, assim como o apoio familiar e do grupo social.

É importante concluir que a depressão é um transtorno psiquiátrico bastante comum na nossa sociedade e como tal deve ser enfrentado procurando-se ajuda profissional adequada e aderindo ao tratamento prescrito, não devendo ser considerada como manifestação de fraqueza e de que sua recuperação depende exclusivamente da vontade da pessoa.

* Jane Lemos – Psiquiatra –
Presidente da Sociedade de
Medicina de Pernambuco

 

 

 

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